A Questão Colonial Portuguesa (1950-1974): Do Império ao Isolamento Internacional
A questão colonial portuguesa entre 1950 e 1974 representa um período crítico na história contemporânea de Portugal, marcado pela tensão entre a manutenção de um império ultramarino em declínio e as pressões globais pela descolonização. O Estado Novo, sob a liderança de Salazar, reagiu ao pós-Segunda Guerra Mundial com uma reconfiguração retórica – substituindo o termo “colónias” por “províncias ultramarinas” – enquanto reforçava a presença militar e económica nestes territórios[1][5]. Esta estratégia, articulada através dos Planos de Fomento[3], visava modernizar as infraestruturas coloniais e legitimar a soberania portuguesa, mas enfrentou a ascensão de movimentos armados de libertação em Angola, Guiné-Bissau e Moçambique[4][6]. O conflito prolongado (1961-1974) e a recusa de Lisboa em negociar a autodeterminação levaram ao isolamento internacional do país, criticado nas Nações Unidas e marginalizado pela comunidade ocidental, apesar da continuidade de interesses económicos estr...