Assalto à agência do Banco de Portugal na Figueira da Foz (1967)

O assalto à agência do Banco de Portugal na Figueira da Foz, ocorrido a 17 de maio de 1967, foi um evento marcante na luta contra a ditadura do Estado Novo em Portugal[1][3]. Um grupo de cinco opositores ao regime, liderados por Hermínio da Palma Inácio, executou esta ousada operação com o objetivo de angariar fundos para financiar a resistência armada[1].

Preparação e Execução

O comando entrou em Portugal em fevereiro de 1967, tendo passado três meses a preparar meticulosamente a operação[1]. O grupo era composto por Camilo Mortágua, Palma Inácio, António Barracosa, Luís Benvindo e Ângelo Cardoso[3].

No dia do assalto, às 15h55, quatro dos operacionais entraram na agência bancária, enquanto Ângelo Cardoso permaneceu ao volante do veículo de fuga[1][3]. Apesar de um contratempo inicial com o cofre, que necessitava de duas chaves para ser aberto, o grupo conseguiu retirar o dinheiro e distribuí-lo por cinco sacos[1].

Fuga e Consequências

Após o assalto, que durou cerca de 25 minutos, os assaltantes fugiram para o aeródromo de Cernache, de onde partiram numa avioneta até ao Algarve[3][5]. Posteriormente, seguiram para Espanha e França, chegando a Paris dois dias depois do assalto[3].

O montante roubado foi de aproximadamente 30.000 contos, equivalente hoje a cerca de 10 milhões de euros[3]. No entanto, 80% das notas foram anuladas pelo Banco de Portugal por não terem ainda entrado em circulação[3].

Impacto Histórico

Este assalto é considerado um momento de viragem no combate à ditadura[2]. A LUAR (Liga de Unidade e Ação Revolucionária) reivindicou a ação, embora só tenha sido oficialmente criada um mês depois, sob a liderança de Palma Inácio[3].

O regime tentou tratar o caso como um crime comum, mas os advogados de defesa, incluindo Mário Soares e Salgado Zenha, insistiram no seu caráter político[3]. O evento permanece na história como um ato audacioso de resistência contra o regime ditatorial de Salazar.

Webgrafia:
[1] https://expresso.pt/sociedade/2017-01-01-Novo-livro-faz-revelacoes-sobre-assalto-a-Figueira
[2] https://www.jornaldenegocios.pt/economia/detalhe/assalto-ao-banco-da-figueira-da-foz-foi-momento-de-viragem-no-combate-a-ditadura
[3] https://www.sibace.pt/announcements/banco-de-portugal-na-figueira-da-foz-foi-assaltado-ha-54-anos/
[4] https://www.rtp.pt/noticias/cultura/assalto-da-figueira-da-foz-em-1967-foi-contra-ditadura-e-autores-prestaram-contas_n959689
[5] https://ensina.rtp.pt/artigo/assalto-ao-banco-de-portugal-por-palma-inacio/
[6] https://www.cmjornal.pt/cmtv/videos/detalhe/camilo-mortagua-recorda-assalto-ao-banco-de-portugal-na-figueira-da-foz
[7] https://expresso.pt/dossies/diario/2016-12-14-Sou-o-unico-que-apresentou-as-contas-do-assalto-ao-banco-da-Figueira-ate-ao-ultimo-centavo
[8] https://www.cmjornal.pt/portugal/detalhe/assalto-de-revolucionarios-a-banco-da-figueira-da-foz-foi-ha-50-anos

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